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O CIRCO


Antigamente , as crianças brincavam mais do que hoje. Quando recordo dos tempos bons de infância, lembro-me de tantas brincadeiras, de tantas amizades, aventuras e de peleias ; tenho saudade de tudo, da criatividade que havia naquela época, quanta coisa era feita por nós mesmos; não havia muitos brinquedos, poucos tinham TV, nem sonhávamos com computador e internet.


Sempre que posso, comento com meus amigos que , quando criança, eu tinha um sonho: trabalhar num circo e ser ,especialmente , o palhaço. Sempre me motivaram o sorriso das pessoas, as palmas e o desafio de se apresentar.

Como as crianças da época, as de hoje ainda se sentem fascinadas pelo circo e pelo palhaço que , de rosto pintado, com cores alegres na roupa, seus sapatos grandes e piadas inocentes, faz as pessoas felizes. Quando crianças, gostamos de rir e tudo é engraçado; com o tempo, crescemos e perdemos a graça.

Em um momento da minha infância, resolvi montar um circo no bairro. Conversei com os colegas da rua e os convenci da ideia ; com trabalho coletivo, logo arrumamos bolsas plásticas para fazer a lona, as ripas para cercar o picadeiro, serragem para forrar chão, tábuas para os bancos, cordas para amarrar e as roupas dos artistas.

Como tive a idéia, fui escolhido pelos demais como apresentador. Éramos poucos componentes e fomos obrigados a desempenhar mais de um papel nas apresentações; para minha felicidade pude escolher ser , também , o palhaço principal.

Os dias que sucederam a idéia foram agitados, com diversas tarefas como,entre outras, conseguir um terreno. Não podia ser qualquer área, tinha que ser bem localizada, de fácil acesso e ter uma árvore no meio, que daria sustentação, e nela pendurar o trapézio. Conseguimos um terreno perto do antigo Moinho da Cotrijuí, bem na avenida, e foi aquela correria: era gente costurando a lona plástica, buscando serragem nas serrarias, mães fazendo roupa de palhaço e,ainda. procurando tinta guache para pintar o rosto.

Acho que trabalhamos uma semana na preparação do circo e com o treinamento dos números para a apresentação; quase não dormíamos: colégio de manhã cedo, almoço rápido e depois , circo, até o dia da estréia.

A estréia foi marcada para um sábado; divulgamos na rua em que morávamos e no colégio; tudo estava correndo muito bem, conseguimos até um terneiro para fazer uma tourada, mas esta atração, que era o evento principal, deixamos para ser a última apresentação.

Chegado o grande dia, houve venda de ingressos, pipoca e suco de pacotinho, que nos renderam alguns centavos. Como combinado ,fiz a abertura e chamei os números para apresentação : havia mágico, meninas que faziam estrelinhas, palhaços, trapezistas e, para o número final ,resolvi dar uma de toureiro. Mas não combinei com o terneiro, que não era muito grande, ao contrário do estrago que causou.

Com dificuldade pusemos o terneiro para dentro do pequeno circo e quando eu o provoquei, ele correu e levou a ripas que faziam o picadeiro, a lona que costuramos a semana inteira, derrubou os bancos de madeira, e acabou com o espetáculo, mas o principal foi que levou junto nossos sonhos de sermos artistas de circo.

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